Berlinda: um compacto

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Mesmo com os dias a mais, a estadia em Berlim não foi suficiente pro amor que agarramos na cidade. Pontos turísticos foram poucos, mas a cidade oferece tanto a ser vivido em cada parada do U-Bahn que fica difícil fazer um compensado.

Com tanta coisa incrível, não nos surpreende o tanto de gente que chegou lá pra passar uns diazinhos e nunca mais foram embora. A miscelânea étnica é parte integral de Berlim e, por conta disso, conhecemos mais gente de outros cantos do que alemães propriamente ditos. Ainda assim, aprendemos um pouquinho da cultura/vibe da cidade que é um parênteses da Alemanha.

  • Em vários sentidos, Berlim parou nos anos 90. Tem cybercafé (com logo em comic sans, claro), quase nenhum lugar aceita cartão, pouquíssimos lugares tem wifi, e são muitas as festas temáticas (e olha que mal ficamos um mês por lá).

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    The dream of the 90s is alive in Berlin.
  • Ainda na vibe 90s, tem a paixão por música eletrônica maior que a vida, ainda que eles dêem um toque atual pro estilo.
  • Fugimos do eletrônico e nos refugiamos nos tantos bares sujinhos. Eram tantas as opções que muitos nem conseguimos conhecer, tipo o SO36 (Oranienstraße 190 ♦ U8 Kottbusser Tor), que já foi frequentado por David Bowie e Iggy Pop. Mais um ponto positivo pra Berlim: todos os bares aceitam fumantes. Nada de congelar na rua pra matar o vício.
  • Uma cerveja às vezes vira uma dúzia. Nessas, perdemos o horário do U-Bahn e tivemos a estranha sensação de andar com segurança. Mesmo sozinhas. Mesmo às 2 da manhã. Passamos um frio do cão, mas medo nunca.
  • Por falar em frio, esse estereótipo dos alemães é balela. Eles não saem te abraçando logo de cara, claro, mas são abertos e simpáticos à sua maneira. Eles só não gostam mesmo é de conversa fiada e nem de meias-palavras. Não venha com papo de elevador e nem se ofenda: eles só são diretos, não rudes.
  • Talvez o lugar onde melhor se nota isso é o caixa de supermercado: nunca vimos algo tão ágil na vida. No máximo te perguntam alguma coisa no fim da compra (que até hoje não deciframos; o truque é sorrir e entregar o dinheiro).
  • Nossa paixão por mercados beira o limite do saudável, mas deixemos isso pra um post exclusivo. Por ora, basta dizer que os mercados alemães não abrem aos domingos. Claro que descobrimos isso num domingo todo chuva a ressaca.
  • Calma, calma, não priemos cânico! Tem sempre um Spätkauf pra emergência. Essas lojinhas de conveniência espalhadas por todo canto da cidade ficam abertas até mais tarde e têm bebidas, doces, cigarro e uma seleção limitada de comidas. Tem até aquele Ben & Jerry que você não encontrou no mercado.
  • O que não faltam nas prateleiras: queijos infinitos (com direito a bandejinha com 4 camemberts empanados por €2 e Cambozola, a mistura do Brasil com Egito versão láctea), MUITOS embutidos, mostardas e uma variedade de pães. Além das cervejas, claro. Um pack com 2 litros de Paulaner por €3 rendeu gargalhadas no meio da rua.
  • Pode tomar água da torneira sem medo, mas se precisar gastar numa garrafinha no meio da rua (bobagem, cerveja sai mais em conta), fica esperto: água com gás é hit por lá e, ao contrário do Brasil, vem nas embalagens de tampinha azul, enquanto a natural vem na vermelhinha.
  • No esquema de contar moedas, vale guardas as embalagens plásticas pra trocar por desconto nas compras de supermercado. E, pelamor, não jogue nada no lixo errado, reciclagem é coisa séria por lá.
  • Ciclistas não só são respeitados como mandam na cidade. A ciclofaixa não é vermelha, mas é suficientemente sinalizada pra você não panguar por lá. Tente não morrer de amores com as criancinhas e suas minibiciletas, ainda um pouco descoordenados.
  • Já mencionamos, mas repetimos: o número de cachorros per capita é enorme. Impossível andar um quarteirão ou uma estação de metrô sem cruzar com ao menos um. São todos uns lords e não se vê cocô nas ruas. E sim, você vai morrer de saudades do seu bichinho que ficou em casa.
  • Entre tantas opções, deixamos de lado vários dos mil museus da cidade. No unidunitê da economia, escolhemos o DDR Museum (Karl-Liebknecht-Str. 1 ♦ U2, U5, U8 Alexanderplatz, ao lado da Berliner Dom), que dá uma ideia do que era viver na cidade divida de forma interativa e bem montada.

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    You used to call me on my cellphone.
  • Com tanta informação visual, pode ser um pouco difícil não perder nada, mas fique sempre atento aos pôsteres espalhados pela cidade. Logo na chegada, descobrimos sem querer a abertura da exposição do Anton Corbijn no C/O Berlin (Hardenbergstraße 22 ♦ U2, U9 Zoologischer Garten), com direito a discurso do mesmo e pocket show do RY X. Assim, de graça pra quem quisesse aparecer.
  • Parques não faltam em Berlim, mas o tempo não ajudou nos nossos passeios (até porque tivemos nossa cota de parques em Dublin). Deu pra aproveitar um pouco do Mauerpark (U2 Eberswalder Straße), que é pequeno e lindinho, mas o destaque mesmo é pra feira de domingo, com mercado de pulgas e barraquinhas de comidas (mais glühwein, por favor), além do  famoso karaokê no meio do parque que, claro, bomba mais no verão. Como diz Evidências em alemão?

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    Até peladin é bunitin
  • Mais um dos encantos inusitados de Prenzlauer Berg, a árvore dos livros tem como mote “Se ama os livros, deixe-os partir”. Na base da confiança e coletividade, você pode deixar e retirar livros ali sem vigia.

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    “Some books seem like a key to unfamiliar rooms in one’s own castle” Kafka
  • A bagagem histórica da cidade é inegável. 26 anos após a queda do muro que por 28 dividiu a cidade, berlinenses compensam a segregação acolhendo a todos. Nesse momento em especial, placas dando boas vindas aos refugiados tomavam conta de fachadas.
  • A história pesa ainda mais ao chegar no Nazismo. O museu da Topografia do Terror (Niederkirchnerstraße 8 ♦ U2 Potsdamer Platz) faz jus ao nome. A visita é grátis, mas não recomendamos ir depois do almoço. Dá nó em qualquer estômago.
  • Ainda que não fiquem remoendo o passado, os alemães são lembrados diariamente desse período com plaquinhas de metal espelhadas pelas calçadas da cidade em pontos de onde pessoas (muitas vezes famílias inteiras) foram levadas para campos de concentração.maraviwonderful_berlin_7

Daria pra continuar a lista por mais um tempo, mas há tanto a ser dito e visto que só nos resta planejar a volta. Se nossa temporada em Berlim virasse série, o tagline certamente seria “Imagina no verão”, de longe o que mais falávamos todos.os.dias. Por enquanto vamos só imaginando os maravilhosos biergartens, mas a capital alemã que nos aguarde no meio do ano.


Come down, love. Berlin in the cold.

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