Paris é uma festa (mas não fomos convidadas)

Paris-02

Depois da ideia menos que ideal de fazer um pub crawl na véspera do embarque pra Paris, pegamos outro tenebroso vôo Ryanair com poucas horas de sono, um bocado de ressaca e uma toalha a menos (desculpa, Douglas Adams).mochileiros toalha maraviwonderful.gif

Mal pisamos em terras francesas e de pronto fomos recebidas por dois fardados com metralhadoras em riste – e ainda nem sabíamos que o percurso até o hostel era outra viagem (quase tão longa e ainda mais cansativa), com direito a metrô na hora do rush em plena sexta. Nunca usem o aeroporto de Beauvais, por favor.
anigif_enhanced-20728-1413323666-7.gif

Descansadas e munidas de têninhos mais confortáveis, ligamos o modo turista. Arco do Triunfo, Champs-Élysées, ponte Alexandre III, Grand Palais e Petit Palais, praça Concorde, Saint Honoré, praça Vendôme, Opera, Galeria Lafayette, Torre Eiffel; de fato, a cidade luz ofusca.

Passado nosso estado de embasbacadas, veio o de não pertencimento. Paris, no fim, é como as lojas da Saint Honoré pra gente: linda, mas não é pro nosso bico. Encontramos refúgio na Shakespeare & Company, onde passamos umas boas horas tentando decidir quais dos tantos títulos caberiam nos bolsos vazios e mochilas abarrotadas.

Je suis poor
Foi essa nossa resposta pro pedinte, e não podia ser mais verdade. Mal acostumadas com os baixos preços de Portugal, tudo ali era fora do nosso alcance. Um mero macaron na Ladurée custava mais que €6. Um, unzinho. Trocamos por um na Fauchon (que deve ser tão bom quanto, não somos sommeliers de macaron, afinal) por 2 e uns quebrados. Os doces parisienses são uma arte a parte, não teve uma vitrine em que não paramos – só pra cobiçar mesmo.

No bar do hostel, uma longneck custava €4. Quase paramos num café no Boulevard Saint-Michel pra tomar um espresso, fumar um cigarro e ver a vida passar na maior panca parisiense. Quase, porque o cafézinho (que custava 60 centavos em Portugal) não saía por menos de €5.

tumblr_nqs0d7zTgm1r7v8dyo1_500.gif

Liberté, égalité, à emporter
Nessa desigualdade toda, só restou comer na rua. Abraça o frio, desvia do vento como pode, foge dos pombos, mas te vira. À emporter vai te poupar valiosos euros. No nosso primeiro almoço achamos uns sanduíches de €6 (uma pechincha ali pros lados da Saint Honoré), e, com frio e cansadas, aceitamos o convite do garçom para nos sentarmos. Acabamos desembolsando €10 cada (sem gorjeta). Pega teu lanchinho e saia de mansinho (com certeza vai ter uma praça bonita pra você sentar).

Pobreza pra viagem, pobreza na viagem: compramos 10 bilhetes de metrô pelo desconto. Mesmo o metrô cobrindo toda a cidade, fizemos a maioria dos trajetos a pé para economizar os tickets.

maraviwonderful_paris_17
Passatempo de pobre: caça-palavras no metrô. 

A fome como boa disciplina
Segundo Hemingway, “todos os quadros ficam mais vivos, mais claros e mais belos quando se está com a barriga vazia, roído de fome”, mas não sabemos onde ele conseguia dinheiro pros museus. No cara ou coroa com nossas poucas moedas, optamos pelo Museu d’Orsay. O Louvre fica pra próxima, quando tivermos mais tempo, dinheiro e disposição.

maraviwonderful_paris_14.jpg
Se no d’Orsay já passamos umas 5 horas, imagina na copa no Louvre.

Quer pagar quanto?
Sejamos justas, há opções grátis ou em conta por lá. Um passeio por Montmartre é delícia (e, pelamor, muito mais que o café da Amélie Poulain), passando por tantos cantos retratados por Van Gogh (como o Moulin de la Galette, que segue de pé) e terminando na Sacré-Coeur, com direito a uma vista incrível da cidade.

maraviwonderful_paris_04
Quem precisa de arranha-céus?

No quesito Camis & Belbis, é simples: pão e queijo em supermercado (e, se der, pega umas frutas do café da manhã do hostel), e simplesmente não beba nada além de água da torneira. Voilà! Exageros à parte, alguns restaurantes oferecem opções de entrada-prato principal-sobremesa por 10-12 euros que são possíveis (se o maître simpatizar com brasileiros, até uma tacinha de vinho te descola). Foi nossa chance de tomar sopa de cebola e comer um crème brûlée. De resto, até palitinho de misturar drink usamos como talher no hostel.

Paranoia will destroy ya
Depois dos ataques de novembro, o clima de medo é onipresente: segurança reforçada, com direito a armas e detector de metais em pontos turísticos, museus e lojas. O número de turistas caiu tanto que em nosso quarto para 10 pessoas só tínhamos nós duas e mais um perdido – mesmo com 33% de desconto pra todos os hóspedes. Torcemos sempre pra não morrer, mas ali nosso medo mesmo era dos preços, não de ataques.

Paranoid
Fear and loathing in Paris

A princípio achamos que a temporada de 4 dias por lá seria curta, mas mais curto era nosso budget. Foi com certo alívio que partimos, mas fica a esperança de um dia voltarmos devidamente munidas pra elegância parisiense.

giphy-1 copy 2.gif
Voltaremos para um Pinot Nooooir

 

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s