Camis e Belbis: Lisboa

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Sem economizar nos encantos, Lisboa também nos ganhou pelo estômago (e deu uma canseira no fígado). Epicuro e Dionísio fariam a festa por ali.

Pastéis de Belém Rua de Belém nº 84 a 92
Os doces parisienses podem ser lindos, mas os portugueses são imbatíveis e valem o ligeiro aumento no colesterol. A receita mais cobiçada que o Anel de Sauron é a mesma desde 1837 e seu segredo só é conhecido por 6 pessoas. Pense máfia italiana – com menos sangue e mais ovos. Pode esquecer tudo o que você sabe sobre pastel de nata: nada se equipara ao verdadeiro Pastel de Belém ainda quentinho, com uma leve polvilhada de açúcar e canela. Casquinha crocante? Sim. Recheio cremoso? Muito. Nem se engane pedindo um só que você vai querer mais. Prova disso são os mais de 20 mil pastéizinhos vendidos por dia (sim, são mais de 7 milhões de pastéis por ano).
Fun fact: Nosso apego pelo docinho foi tanto que um dia encaramos uma caminhada de 2 horas até Belém só pra comer essa oitava maravilha (pelo menos algumas calorias foram gastas)

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Uma rodada só pra começar…

Garrafeira Alfaia  Rua do Diário de Notícias, 125
Também conhecido como Bar do Pedrão, o anfitrião, o cara. Uma visita ali mais parece um pulinho na casa de um amigo. Pedrão está sempre presente e recebe todos com a mesma atenção, seja você um global ou uma mochileira desempregada (é nói). A paixão dele é o vinho, porém devido à nossa por cerveja e o fato de a Alfaia ser uma primeiras (e poucas) produtoras de cerveja artesanal de Lisboa, fomos nela. Pra acompanhar, croquete de carne maraviwonderful e o famoso queijo Serra da Estrela. O banquete tá completo. De lambuja, ganhamos uma tacinha de vinho do Porto pra arrematar. Vale pela comida, pela bebida e pelo Pedrão.

 

100 Montaditos Praça Dom Luís I, 10
Pra realidade pão com ovo, sanduichinhos de 1 euro. A rede espanhola nos salvou nos momentos de pobreza com suas 100 opções de montaditos, sanduíches no tamanho ideal pra você poder pedir vários sem morrer de dúvida entre tantas opções; queijo de cabra com pesto, calamares com maionese, salmão defumado com cream cheese – além dos doces (de gosto meio duvidoso, cá entre nós). De lambuja, os lanches são acompanhados por uma porçãozinha de chips. Cerveja, vinho e tinto de verano complementavam a refeição com mais 1 ou 2 euros.

To.B Rua Capelo, 24
Pra dar um break nos frutos do mar, o To.B tem boas opções de hambúrguer com preço razoável. A taça de vinho é o mesmo preço que o refri, 2 euros. Quem escolhe o segundo?
Weird fact: Nos deparamos com os lisboetas comendo o hambúrguer com talher. Oi? Mantivemos nossas raízes e colocamos a mão na massa, ignorando os olhares de reprovação.

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Nem vem de garfo que hoje é dia de hambúrguer

Time Out Mercado da Ribeira  Avenida 24 de Julho 49
Tão especial que mereceu um post só dele aqui.

Não deixe de comer os clássicos portugueses: bacalhau com natas, bacalhau à Brás, sardinhas na brasa, e todo tipo de frutos do mar sempre bem feitos e fresquinhos, até nas portinhas mais reclusas (os tru do rolê). Os doces todos dispensam apresentação.

Se possível, evite:
Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau 
Ao passar pela Rua Augusta, não se deixe enganar pela sedutora foto do pastel de bacalhau com queijo Serra da Estrela derretendo: é cilada, Bino. Além de caro (3.50 pra Lisboa é caro sim), era massudo e vinha pouco queijo – que, inclusive, é melhor apreciado sozinho. É muita batata para pouco bacalhau. No geral, foi difícil encontrarmos um pastel de bacalhau tão gostoso quanto os brasileiros. Na terra mãe, os bolinhos levam mais batata que peixe.

A Padaria Portuguesa
Caímos lá com a ideia de que seria uma tradicional padaria portuguesa. Ledo engano, a rede tem mais lojas que Starbucks em Nova York. Eles tiveram o mérito de servir o pior cappuccino da história dos cafés, com cara de amostra de água do Tiete coberta com uma espuminha de detergente. Mas não pararam por ali. Pedimos um pão de deus, mas quem amassou foi o diabo. Não que o pão tivesse ruim, mas quem quer comer um pão com côco e leite condensado recheado de presunto? Continuamos sem entender e só de lembrar nos embrulha o estômago.

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Rua Cor-de-Rosa
Andando pelo Cais do Sodré, a rua é fácil de encontrar não só pela cor distinta, mas também pelo movimento. Prima distante da Augusta paulistana, partilha inclusive do mesmo passado decadente. Hoje revitalizada, virou ponto de encontro dos mudérrnos de Lisboa. Tem balada, tem lugar pra sentar e petiscar, tem aquela portinha com cerveja a 1 euro pra tomar em pé na calçada.

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Como não gostar de um lugar que tem Milo Manara no toldo?

Pensão Amor Rua Alecrim 19
Passeando pela Rua Cor-de-Rosa, caímos ali em busca de um negroni pra chamar de nosso e ficamos boquiabertas ao entrarmos: cortinas de veludo azul, clima de bordel e móveis da sala da vó. Nesse ex-puteiro, cada ambiente uma nova identidade; tinha até uma salinha de pole dancing com animal print nas paredes, outra com cartomante e também um sex shop. O drink, ainda que um pouco salgado, não deixou a desejar. A melhor surpresa da noite foi o show do Miss Manouche, que poderia bem ser trilha de um filme do Woody Allen.

 

A Tabacaria Rua de São Paulo 75/77
Ainda ali por perto, A Tabacaria nos chamou atenção pela fachada e nos puxou pelo Pessoa. Decidimos ousar e pedir um rum, que foi o preço de uma diária no hostel. Passado o choque (e aprendia a lição de sempre perguntar o preço antes), o copo esquentou numa noite fria de Lisboa.

Fábrica Coffee Roasters Rua das Portas de Santo Antão, 136
Não é só de álcool que a gente vive; antes do meio-dia, um café vai bem. Em Lisboa você encontra um bom espresso em qualquer biboquinha por meros 60 centavos (de euros. ou seja, mil reais). Na Fábrica o café é prato principal. Tem aromas, notas e intensidades pra todos os gostos. Lembramos um pouco dos cafés hipsters de Berlim (não que isso seja ruim. Quem não gosta de café bom e bem tirado?).

Não deixe de beber:
Ginjinha
, o licor de amarena (uma cereja mais ácida). Boa pros dias frios, boa pra dar uma energia extra antes de subir as ladeiras do bairro alto, boa em qualquer hora (Toninho Bourdain, em sua passagem por Lisboa, gostou além da conta). Você encontra fácinho, mas as mais tradicionais são: A Ginjinha (Largo de São Domingos, 8) e a Ginjinha Sem Rival (Rua das Portas de Santo Antão, 7).


Os vinhos de mercado: O que não falta em Portugal são boas vinículas. Dificilmente você vai errar ao entrar no supermercado e pegar uma garrafa, ainda que custe meros 3 euros. Em quase um mês de pesquisa empírica, elegemos os da região Douro como favoritos (menção honrosa para Porca de Murça que custava €2.99, enquanto no Brasil sai por R$ 70). O bom preço do vinho compensou a cerveja aguadinha e sem graça (porém também barata).

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sorvetes maraviwonderful em Lisboa

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Os italianos que têm a fama (e nossas expectativas para os verdadeiros gelatos são altas), mas isso obviamente não nos impediu de nos esbaldarmos nas sorveterias lisboetas. Como pesquisa de campo, fizemos questão de provar todos mais de uma vez (de nada), e esses foram os 3 que gelaram a boca e aqueceram o coração.

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Escuta a Michelle e vem com a gente

Santini: Logo no Mercado da Ribeira já nos deparamos com ele não resistimos ao mini-cone, que vem no tamanho ideal pro pós-banquete ogro no mercado e custa só €1.60. Em outras visitas não tão mini, provamos também outros sabores. Destaque pro de pão-de-ló e o de canela.

Além do stand no Mercado da Ribeira, há uma loja na Rua do Carmo, 9 (próximo aos Armazéns do Chiado) e também em Belém, mas por lá vale mais gastar a cota de doces nos famosos pastéis.

Davvero: A placa em neon com logo bonitinho chamou nosso olhar de longe. O charme da sorveteria não parava na estética. Dentre as tantas opções – indo de manjericão a baobá – o desafio da escolha aumentava com a rotatividade deles: em cada visita nossa, novos sabores apareciam. O sorvete de pinoli conquistou nossos corações, e o de zabaione não ficou muito atrás, não. Ainda há a opção de finalizar seu pedido com um scoop de natas batidas (sem acréscimo no preço, só no colesterol). Fica na Praça São Paulo 1, pertinho da estação Cais do Sodré.

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Amorino: Paramos ali pelas pétalas de sorvete, sem saber que essa é das mais recomendadas sorveterias em Paris. Como de praxe, passamos um bom tempo provando os sabores e, pra nosso alívio, não precisamos nos limitar a apenas 2 (mesmo na casquinha pequena). O de chocolate amargo e o de caramelo salgado dá saudades só de pensar. Tem duas lojas, ambas no buchicho turístico: Rua Augusta 209Rua Garrett 49IMG_0817

Menção para Gelatos Mú, que nem conhecemos e consideramos pacas. Por problemas de logística, deixamos pra visitar no último dia na cidade, mas nossos planos foram por água abaixo com a chuva que insistia em cair. Mas fica em nossos corações como mais um motivo pra voltar à cidade.

Lisboa: Mercado da Ribeira – Time Out

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Depois de um último dia mágico regado a glühwein com rum na feira de natal, a saída de Berlim teve noite em claro, frio e uma leve perdidinha embaixo de chuva às 5 da manhã. O perrengue foi compensado assim que pisamos em Lisboa, recebidas por calor, o conforto de entender a língua e um pôr do sol incrível.

Logo na primeira volta por ali, achamos conforto em forma de camis & belbis no que virou um dos nossos porto-seguros: Time Out Mercado da Ribeira. Estrategicamente localizado em frente à estação Cais do Sodré, o mercado merece ao menos uma passadinha. O mercadão clássico com frutas, legumes e frutos do mar foi revitalizado em 2014 e virou uma praça de alimentação maraviwonderful, oferecendo o melhor da culinária portuguesa com curadoria da revista Time Out.

Apesar da vibe gurmê, as opções eram acessíveis até pra mochileiras que têm que contar as moedinhas antes de qualquer refeição (vale dizer que Portugal é bem mais barato que o resto da Europa).

Os destaques (ou: o que a gente teve tempo/dinheiro pra comer):

  • O croquete da Croqueteria com o slogan “Dos melhores, o melhor”, cumpre o que promete. O de queijo de cabra com cebola caramelizada era bem bom, mas vá no clássico de carne que não tem erro.

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    Casquinha crocante, recheio cremoso. Sim.
  • O hamburguer do Honorato que foi o que mais chegou perto do nosso inegualável Underdog.maraviwonderful_lisboa_timeout_mercadodaribeira_3Menção honrosa pra batata e o molhinho.
  • O chopp da Amber IPA da Super Bock (Selecção 1927). Um alívio depois da Sagres. E ainda custava €3.maraviwonderful_lisboa_timeout_mercadodaribeira_5
  • O guioza do Asian Lab que dá um belo acompanhamento pra cerveja mencionada acima. Pedimos o de carne e o de camarão.maraviwonderful_lisboa_timeout_mercadodaribeira_8
  • Na parte mais fancy do mercado, tinham as barraquinhas de chefs famosos. No Chicken All Around, do chef Miguel Laffan, o lamen com camarão custava €7, e era bem servido e bem delícia.
  • Portugal é o paraíso dos doces. Só ali no mercado já dá pra se esbaldar nas tortas (quer dizer, tartes) e bolos do Nós é Mais Bolos . O difícil, sempre, é escolher uma entre tantas opções.maraviwonderful_lisboa_timeout_mercadodaribeira_7
  • O sorvete do Santini (que você encontra em outros pontos da cidade também). Se nesse ponto da visita você já estiver explodindo, calma: tem o micro-mini-cone só pra dar aquela provadinha. maraviwonderful_lisboa_timeout_mercadodaribeira_6

Fora isso, tem queijo Serra da Estrela, tem leitão, tem Ginjinha ♥, lagosta azul, tartare pra tudo que é gosto e uma lojinha com as embalagens mais lindas. Se você não achar nada que você goste lá, você não é maraviwonderful.

Aberto todos os dias (das 10h às 2h de quinta a sábado e das 10h à meia-noite de domingo a quarta), salva nos momentos de cansaço depois das incontáveis subidas da cidade. É, não foram poucas as nossas visitas.

Camis e Belbis: Berlim

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Dolores Burrito Rosa-Luxemburg-Straße 7 ♦ U2, U5, U8 Alexanderplatz // Bayreuther Straße 36 ♦ U1, U2, U3 Wittenbergplatz
Burrito no estilo californiano, gigante, bem temperado e barato. Além de valer pelo sabor, é uma boa (e acessível) alternativa às opções turísticas e superfaturadas de Mitte. A quesadilla também vale a pedida.


 

Mustafas Gemüse Kebap Mehringdamm 32 ♦ U6, U7 Mehringdamm
Presença constante em todos os guias de comida de Berlim, o hype não desaponta. Longas filas (até alta madrugada), mas compensadas pelo serviço ágil e o sabor delícia.


 

The Dudes Deli Schlesische Straße 19 ♦ U1 Schlesischestraße
Adição à loja da Rosenthalerplatz (que falamos aqui), com produtos ilustrados pelo artista e sócio McBess, o The Dudes Deli surgiu para celebrar a boa vida, com comida, bebida e rock. Nosso favorito de Berlim até agora (summer is coming), o sanduíche de porco desfiado vale toda e qualquer visita e cai perfeitamente com a boa seleção de cervejas.


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The Bird Am Falkplatz 5 ♦ U2 Schönhauser Allee
Burger hypado, vive lotado e até reserva fizemos. É bom? Bastante. O pãozinho diferente dá um charme e a batata vem no ponto, mas ainda não é um Underdog. A visita vale ainda mais se, sem querer, você fizer amizade com o garçom no bar do hostel e ganhar um shot de whisky de quebra.


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Curry 36 Mehringdamm 32 ♦ U6, U7 Mehringdamm
Berlim tem mais currywurst por metro quadrado que Starbucks em Nova York; não tem desculpa pra passar pela cidade sem provar um. O mais famoso é o Curry 36, que fica a alguns passos do Kebap do Mustafa. Com um pouco de fé, dá pra provar os dois em uma visita só.


Markthalle Neun Eisenbahnstrasse 42–43 ♦ U1 Görlitzer Bhf
A feirinha culinária, com opções do mundo todo, que rola todas as quintas no mercado de Kreuzberg. Falamos com detalhes dela aqui, e na nossa opinião, é o melhor lugar pra se comer em Berlim.

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Monterey Bar Danziger Str. 61 ♦ U2 Eberswalder Straße
Mais de 80 rótulos de cerveja artesanal, além de uma boa seleção de whisky? Sim, por favor. A Flying Turtle é pedida certa. Com vibe de sala de casa e pouco hype, vale tomar algumas ali numa noite mais calma ou antes de seguir pra outro lugar (cerveja artesanal é sempre mais cara, afinal). De Black Sabbath a Queens of the Stone Age, a trilha também merece destaque, com rock sem modismos.


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8mm Schönhauser Allee 177 B ♦ U2 Schönhauser Allee
Nosso preferido. Um inferninho bem pequeno, com cerveja barata (principalmente a Berliner Berg ou Krombacher) e a melhor seleção musical; tem Frank Sinatra seguido por Slayer e trilhas de filmes clássicos e obscuros, tudo devidamente acompanhado por cenas exibidas no telão ao fundo, que vão de Poderoso Chefão a Johnny Vai a Guerra. Vale ligar o Shazam pra não deixar passar nenhuma música não identificada.


Clash Gneisenaustraße 2A ♦ U6, U7 Mehringdamm
Sujo, esfumaçado, escuro, cheio e barulhento. Como um bar punk deve ser. Com uma entrada escondidinha e pouco convidativa (Berlim e seus becos…) no meio de Kreuzberg, você tem que ir com objetivo certo. Peça um shot de mexicaner pra começar. Tem mesas de sinuca e é 4:20 friendly. Aproveita pra matar a larica no Mustafa, que fica ali pertinho.


Wohnzimmer Lettestraße 6 ‏♦ U2 Eberswalder Straße
Em tradução literal, Wohnzimmer significa “sala de casa”, nada define melhor a decoração do bar: uma sala de vovó Berlinense no melhor estilo Kistch. Os sofás neoclássicos de veludo são ideais pra esticada de fim de noite após uma caminhada etílica por Prenzlauer Berg.


Fairytale Am Friedrichshain 24 ♦ U2 Senefelderplatz
A expectativa para esse bar foi grande e o resultado desapontante. Cheio de segredos pra entrar, reserva, coelho branco, e os paranauês todos para acabarmos em um bar bem decorado com serviço rude e drinks caros. Nos sentimos no colégio tomando bronca da garçonete porque pegamos o cardápio antes da hora – sim era um cardápio diferente: um pop-up book com uma mini poção/drink de cortesia, mas esperar mais de 10 minutos pra sermos notadas no balcão é um pouco demais. Tanta firula nos deixou pouco à vontade. Saímos dessa frescurada e fomos para o NEU! tomar cerveja de caneca e ouvir Nick Cave em alto e bom som – sem precisar congelar na calçada pra fumar, cabe frisar.


NEU! Bar Greifswalder Str. 218 ♦ U2 Senefelderplatz
Dos mesmos donos do 8mm, o bar segue o irmão na música impecável e bebida com preço justo. O DJ é a estrela e faz por merecer o €1 de couver artístico. Como era de se esperar, vive cheio, mas com um pouco de sorte você consegue lugar em um dos sofás do fundo.

Winter Wonderland em Berlim

Natal não é a praia de todos. Nós mesmas nos dividimos entre empolgação e indiferença, mas qualquer que seja sua posição em relação a festa, é impossível não se encantar com as feirinhas de natal alemãs. Visitamos 5 (algumas mais de uma vez) desde o dia que elas começaram até nossa partida.

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A primeira e mais turística que visitamos, é a 25 de março das feirinhas de natal. Também pudera, diariamente são cerca de 300 mil pessoas passando pela Alexanderplatz, fora os 500 mil passageiros do U+S Bahn. Um pouco kitsch, mas nem por isso menos divertida. O combo de wurst fritando + carrossel dando suas voltas ao som de Frank Sinatra enquanto neve falsa cai é capaz de converter qualquer Grinch (que inevitavelmente vai cantarolar junto, sim). Pra variar, tivemos dificuldade em decidir entre tantas barraquinhas, mas quando o assunto é feira de natal, uma parada é certa: glühwein, o maravilhoso vinho quente com especiarias, que de quebra ainda dá aquela esquentadinha. Pra quem não tiver medo de cair, quebrar o pé e ter os dedos da mão amputados, tem também a pista de patinação do gelo. Não, não vimos nada disso acontecer, mas certeza que era só questão de pisarmos lá pra sermos alvo dessa desgraça toda.
Alexanderplatz (U-Bahn ou S-Bahn)


 

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A Higienópolis das feirinhas (público diferenciado, hmmm) fica em Mitte. Menos barracas, mais restaurantes fechados, com cobertinhas, aquecimento e renomados chefs alemães. Nas tradicionais barraquinhas dava pra encontrar brie com trufa, torrone de pistache italiano, entre outras delícias phynas. O vício no queijo nos fez escolher a raclette. Claro que tinha também currywurst e o amigo glühwein, sendo acessível pra todos os bolsos.
(U2 Hausvogteiplatz)


 

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Menos turística, a feirinha Scandinava de Prenzlauer Berg é mais frequentada por famílias hipster-orgânicas. A feira é dedicada à Santa Lucia, deusa nórdica da luz. Além das tradicionais barracas de currywurst e crepe, tem também absinto e tortas caseiras. Se a bebida não deu conta de esquentar, só sentar num dos aquecedores e vestir o casacão comunitário; uma invenção bizarra, mas necessária.
U2 Eberswalder Straße


 

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Solta a criança interior nesse parquinho com vibe anos 80 meio capenga maravilhoso. Pense mais parquinho de quermesse do interior e menos Disney. Todo brinquedo é pago, claro, mas a roda gigante vale o investimento, principalmente se você der a sorte de pegar o por do sol.
Alexanderplatz (U-Bahn ou S-Bahn)


 

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Essa é um capítulo a parte. No nosso último dia em Berlim, em meio de neve e -3º, viemos parar aqui depois de um passeio pela Bauhaus. Um pouco exaustas, um pouco tristes pela partida. Muito congeladas. Eis que veio a descoberta que mudaria tudo – até o tempo: dar um upgrade no glühwein com um tiquinho (não tão tiquinho) de rum. O céu abriu, anjos literalmente cantaram, tudo isso em frente ao palácio de Charlottenburg lindamente iluminado. Provamos todos as degustações oferecidas, tiramos mais fotos que turista japonês e rimos um bocado. O frio… que frio? Pelo cenário, pela vibe e pelo rum, essa foi de longe a feirinha mais mágica que visitamos. Ela merecia um post só dela, mas vamos nos limitar às fotos.

Nossos natais nunca mais serão os mesmos.
U7 Richard-Wagner-Platz

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O paraíso da comida de rua

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Diferente de tantas outras capitais, Berlim não é exatamente a meca foodie – o que condiz com a postura geral da cidade em relação ao consumo, mas essa é outra história. Ainda assim, nos últimos anos, tanto oferta quanto procura por opções gastronômicas mais diversas vem aumentado em bom ritmo.

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mais ansiosas que J-Law

Por motivos investigativos e um tiquinho assim, quase nada, de gula, descobrimos a feira de comida de rua no Markthalle 9 (Eisenbahnstrasse 42–43 ♦ U1 Görlitzer Bhf).  O espaço, construído em 1891, funciona até hoje como mercadão durante o dia e às quintas, das 17 às 22h, alimenta berlinenses (são pouquíssimos os turistas aqui) em busca de barraquinhas que ofereçam mais que currywurst.  Bem mais mesmo: Käsespätzle de Allgäu, Ceviche do Peru, FuFu da Nigeria, tortas bretãs, dumplings de tapioca taliandeses, tacos mexicanos, empanadas argentinas, os famosos Koreans Buns, sem falar na infinidade de queijos, geléias, vinhos e embutidos de pequenos produtores.

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Korean buns: O pãozinho no vapor do famoso Bao Burguer, que é recheado com  barriga de porco desfiada, nozes, coentro e molho chinês hoisin. Delicioso, como indicavam as filas.
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Ainda sobrou espaço pro delicioso sanduíche caseiro do J. Kinski.
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O waffle em formato de peixe atrai a curiosidade de quem passa, mas por motivos de um estômago, fica pra próxima vez.
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E, como não podia faltar, uma pale ale artesanal.

Escolher uma entre tantas opções é uma pequena batalha interna, logo seguida pela procura de lugar pra sentar, mas o que é a vida senão uma grande gincana, não é mesmo?

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Camis & Belbis – Dublin

Entre dúzias de pão com ovo e baldes de sopa congelada, nos permitimos algumas extravagâncias gastronômicas e etílicas (quase sempre dentro do nosso modesto budget)

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  • Frite Haus 87 Camden Street Lower, Dublin 2 // +353 87 050 5964
    Batatas fritas crocantes e sequinhas, com uma imensa variedade de molhinhos – provamos o de Cashel Blue Cheese e Wasabi Mayo, ambos aprovadíssimos –, porém o hambúrguer não se destaca. Com o Underdog como referência, fica difícil encontrar algo à altura.


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  • The Big Blue Bus 11-12 Richmond St S, Dublin 2 // +353 85 165 8406
    Aos fundos do The Bernard Shaw, há um jardim/fumódromo decorado com grafites nas paredes e o inesperado ônibus azul; The Big Blue Bus é um double decker de 1978 que funciona como pizzaria de quinta a domingo até a meia noite. A pizza, com massa fininha e boas opções de sabor, tem o preço um pouco mais salgado, mas o combinado vale a pena: pizza + cerveja artesanal (ou bloody mary/white russian) sai por €13.


  • Thai Jasmine Grab & Go 11 Lower Liffey Street, Dublin 1 // +353 1 835 769
    Talvez a melhor surpresa gastronômica de Dublin. A fachada do Thai Jasmine passa despercebida na região central da cidade e você pode até questionar a qualidade da comida num primeiro olhar, mas não deixe que isso te engane: ali dentro de espera uma caixinha deliciosamente temperada, bebidas a 1 euro e atendimento simpático. Gostamos tanto que repetimos a dose: Chicken Green Curry sai por €6.50, alivia qualquer congestão nasal e certamente ficará gravado nas papilas gustativas. Voltaríamos todo dia lá, se pudéssemos.


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  • Little Ass Burrito Bar 32A Dawson St, Dublin 2 // +353 1 679 969
    Não se engane pelo nome: de pequeno esse burrito não tem nada. Pra uma parada rápida no balcão ou levar pra viagem, ele mata qualquer fome. Cuidado com os molhos, apimentado é apimentado.

  • Murphy’s Ice Cream 27 Wicklow Street, Dublin 2 // +353 066 915 2644
    Há sorveterias aos montes pelas ruas de Dublin, mas a Murphy’s vai além. Os sorvetes são feitos apenas de produtos naturais, nada de corantes ou aromatizantes e o leite vem das raras vacas Kerry, nativas do país. Difícil é decidir entre tantos sabores.


  • Generator Hostel Smithfield Square, Dublin 7 // +353 1 901 0222
    Mesmo se você não tiver hospedado no Generator, vale uma visita ao bar pra provar esse hambúrguer.  Carne no ponto, pão macio e batatas perfeitas. Na nossa busca por um hambúrguer Underdog, esse foi o que chegou mais perto.


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  • Eathos 13 Baggot Street Upper, Dublin 4 // +353 1 629 8090
    Falemos de uma das nossas maiores paixões: café da manhã. Por economia, a maioria dos nossos era feito em casa ou no hostel.   

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    Ron Swanson se identifica

    Eathos é um capítulo à parte, no entanto. A vitrine já é uma covardia, com seus tantos doces, tortas e suspiros, provando que orgânico não é necessariamente saudável – o cupcake no potinho não nos deixa mentir. Podiamos falar do café 3fe, do pão de sourdough servido com geléia com pedacinhos de frutas, do croissant, ou das tantas opções de brunch, mas só de pensar já bate a fome.


     

  • The Happy Pear Church Road, Greystones, Co. Wicklow // +353 1 287 3655
    Técnicamente, fora de Dublin, mas uma viagem de menos de uma hora te leva à Greystones. O passeio por si só vale a pena, com a vista litorânea e se você tiver pique pra cruzar a montanha até Bray (deixemos essa aventura para outra hora), mas o Happy Pear é, sem dúvidas, um ponto de destaque. Outro orgânico (oi, Narcisa) com opções saudáveis que contrariam até os mais céticos (errr…). Os brownies são um capítulo a parte (saudável é diferente de light, né?) e obrigatórios. Logo ao lado do restaurante, há um mercadinho só com produtos dele, pra quem se deixar levar pela onda orgânica. Até mesmo em mercados de Dublin você cruza vez ou outra com potinhos com o feliz selo da Perorgânica.

 

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  • Garage Bar Essex Street East, Dublin 2 // +353 1 679 6543
    Mesmo estando em Temple Bar, o Garage foge do burburinho turístico e logo de cara nota-se a diferença: nada de clima e decoração dos clássicos pubs de cada esquina. Nas paredes e nas caixas de som, o que impera é rock clássico – de Stones a King Crimson; no balcão, Cute Hoor, Guinness, e Paulaner.


  • Blackbird Rathmines 82-84 Rathmines Rd Lower, Dublin 6 // +353 1 412 5031
    Por mais que gostemos das clássicas pints irlandesas, nos sentimos em um parque de diversões entre tantas opções de cervejas artesanais – tanto em tap quanto em garrafa. A decoração do ambiente é inusitada, no mínimo. Carteiras de escola antigas, sofás de veludo e outras peças únicas dão um ar de antiquário, complementando a trilha foda, de Bowie a Radiohead, passando por QOTSA no caminho.IMG_5331


  • The Bernard Shaw 11-12 Richmond St S, Dublin 2 //  +353 85 165 8406
    Por indicação de uma amiga local, fomos parar nesse pub com grafites divertidos na fachada. Logo ao entrar, nada fora do normal: balcão com torneiras como tantos outros pubs. Poucos passos à frente, porém, uma porta te leva ao jardim – igualmente decorado por grafite – que também funciona como fumódromo e estacionamento do já mencionado Blue Bus. Os fumódromos de Dublin dão um pau nos cantinhos austeros destinados à nós em SP, mas esse merece menção especial. Muito além de acolher os pobres viciados, o ambiente é a escolha da maioria pra comer sua pizza, virar uns pints e aproveitar a música local com mesas de sinuca e pebolim.


  • The Workman’s Club 10 Wellington Quay, Dublin 2 //  +353 1 670 6692
    Nosso espírito velho sempre prefere bares sem muito auê a qualquer outro ambiente, mas nada que algumas pints e empolgação repentina não mudem vez ou outra: deu vontade de dançar, e seguindo a recomendação de um amigo seguimos pro Workman’s. Num predinho à beira do Rio Liffey, o lugar lembra uma Trackers, só que mais organizada. Cada cômodo um ambiente, e, de novo, a maravilhosa área de fumantes populada por fumantes e famintos, que tinham 3 ou 4 opções de barraquinha de lanche pra dar conta do álcool. Não sei se foi azar do dia ou se estamos acostumadas com o ritmo paulistano, mas a pista em si deixou a desejar em animação, ainda que a música fosse boa. Bom, pelo menos a entrada era grátis.


IMG_5077 E o Temple Bar? Começa que descobrimos que Temple Bar é uma área toda no centro da cidade, onde tem uma infinidade de outros bares, e não só o famoso pub vermelho que estampa a maior parte dos postais. Mas tá, o bar em si: não achamos que vale a pena fazer a sardinha pra tentar pegar uma pint de Guinness por €7. Pra quem topar encarar a multidão de turistas e desembolsar uns euros a mais: Temple Bar Pub (47-48 Temple Bar // +353 1 672 5286). Pra quem for tão mão de vaca quanto a gente, o Mother Kelly’s (74 Talbot St, Dublin 1) oferece pints the Guinness e Lager por €3 às quartas depois das 8pm. Não espere o pub mais descolado da cidade, mas o serviço e a cerveja não deixam a desejar. Outra opção turística pra quem tem pique e euros sobrando, The Brazen Head (20 Lower Bridge St, Dublin 8 // +353 1 677 9549) é um dos mais antigos pubs da cidade. Enfim, são mais de mil pubs pela cidade, há opções pra todos os gostos e bolsos. Que sobre também fígado.