Lisboa: destino criativo

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O banquete visual de Lisboa não para nas vistas fenomenais, e o prato cheio não se limita aos que, como nós, sofrem da maldição de constante busca de referências visuais. Os clássicos azulejos fazem por merecer a fama (e não à toa têm um museu só deles)azulejos_2

Arabescos e motivos tradicionais mesclam-se com traços modernos, desdobrando-se em embalagens, fachadas e peças gráficas em geral carregadas da identidade local sem tom caricato.

Tipografia
Dos neons aos letterings pintados à mão, as tipografias na cidade se juntam aos azulejos para dar uma cara mais única e especial à cidade. Um charme boêmio que só Lisboa tem.

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a famosa, deliciosa e charmosa Ginginha ❤
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azulejos, lettering e o característico azul
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Neon vintage é ❤

 

Embalagens
As embalagens lisboetas são um show à parte. Sabonetes, azeites, pasta de dentes, licores e as sempre presentes sardinhas, são referências que brilham aos olhos. Nunca tivemos tanta vontade de comprar sabonetes e sardinhas… Das mais vintages que são mantidas até hoje até o minimalismo moderno, os portugueses mostram que sabem fazer embalagens criativas.

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Sardinhapalooza
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bons drinks e bons rótulos
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as icônicas pastas couto

Street Art
Entre um azulejo e outro, nos deparamos com grafites fodas (com direito a surpresa de encontrar Bicicleta Sem Freio ao lado da estação Cais do Sodré). O que torna Lisboa um museu à céu aberto.

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Curitibanos do Bicicleta Sem Freio marcando presença em Lisboa

Em meio a embalagens, azulejos, arquitetura e street art, inspiração não falta na cidade.

Pros que procuram um pouco mais, dois museus gratuitos merecem a visita: MUDE – Museu do Design e da Moda (Rua Augusta, 24) e o CCB – Centro Cultural de Belém (Praça do Império).

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Achados em Lisboa: LX Factory

maraviwonderful_LX-Factory.jpgEnquanto Berlim nos surpreendeu com sua vibe anos 90, Lisboa teve o impacto contrário. Esperávamos uma cidade meio parada no tempo e encontramos um burburinho cultural e artístico inimaginável. maraviwonderful_LXfactory_lisboa_1

Exemplo disso é a LX Factory, rolezinho hipster (nada contra, até temos amigos) fora do roteiro turístico básico. Logo embaixo da ponte 25 de Abril, em Alcântara (facinho de chegar de trem), o antigo parque industrial transformou-se em ilha criativa em 2008, preservando a arquitetura original, com adição de grafites. Os 23.000 m² são ocupados por lojas, restaurantes, além dos tantos escritórios de moda, publicidade, arte, design, comunicação, arquitetura e teatro.

Aos domingos, além das atrações permanentes, há também uma feira nas vielas do parque industrial, com banquinhas de artistas e produtores locais. Até encontramos cerveja artesanal por preço justo (uma grata surpresa depois de tanta Sagres). A programação não para por aí; com frequência o espaço oferece exposições, festas, workshops e festivais.

Em um antigo parque de impressão funciona hoje a livraria Ler Devagar, onde dá pra perder boas horas entre os livros e máquinas, com pausa pra tomar um café (e, se der, provar uma das tortas) enquanto fuma um cigarro. Sim, ali dentro mesmo ❤

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Pode morar aqui?

Nos esbaldamos também nas comidas (calma, as degustações se deram em visitas diferentes): O hambúrguer do Burger Factory foi o que chegou mais próximo do hors concours Underdog. Nas sobremesas, fica difícil de escolher entre o impecável bolo de chocolate da Landeau e o cheescake da LXeesecake, servido em fatias pra lá de generosas (difícil é escolher um só sabor). Opções gastronômicas não faltam, esteja você na larica de sushi ou querendo uma boa massa italiana.

Entre uma boquinha e outra, não deixe de passar pelas tantas lojas. Queríamos comprar tudo da Bairro Arte pra decorar nossas casas imaginárias, nem olhamos as etiquetas de preço da Kare e paqueramos uma porção de roupas e zines.

Berlim para designers

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Como duas designers, pisamos em Berlim com altíssimas expectativas em relação ao design na cidade, até que… comic sans. A cada esquina, nas fachadas, cardápios, placas, o que quer que seja. Era tão presente que no fim rolou até um apeguinho à tão hostilizada fonte. Quase como uma cidade interiorana (nesse em alguns outros sentidos), a preocupação estética da maioria dos lugares é mínima – pra não dizer inexistente. E tudo bem.

Não se deixe enganar pela comic sans ou pelos mascotes com cara de Dollynho, no entanto: na cidade com tamanha inquietação política, social e cultural, há arte literalmente por todo canto: o grafite define a cidade. No tour alternativo (grátis!) que fizemos, entendemos um pouco mais da cultura por trás do street art onipresente – e ilegal; todas as noites, milhares de grafiteiros deixam sua marca nos muros da cidade, driblando os meros 15 policiais responsáveis por controlar o incontrolável.

A infinidade de coisas pra ver e fazer por ali e o mau tempo limitaram nossa exploração, mas o verão que nos aguarde. Ainda assim, deu pra ter uma boa prévia, ainda mais por Kreuzberg.

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Os muros deixam o recado: love art, hate cops.

Acima, um dos murais de ROA, respeitado artista Belga que, em geral, retrata a fauna local morta ou em decomposição. Usando apenas spray e paleta mínima de cores, a atenção aos detalhes em suas obras de larga escala é impecável.

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Vitor Ash, artista francês radicado na Dinamarca, é responsável pelo Cosmonauta, um dos mais icônicos grafites de Berlim. Apesar da aparência, a obra largamente replicada em pôsteres e camisetas não foi feita com estêncil, e sim com o bom e velho pincel, levando dias pra ser concluída. Estrategicamente posicionado, à noite o astronauta ‘segura’ o poste de luz que se acende do outro lado da avenida.

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O Abraço, do grupo de grafite espanhol Boa Mistura, representa a junção pacífica dos dois lados de Berlim e fica na parede do Hotel East Side, em frente ao East Side Gallery. Aqui um link do processo deste grafite no site deles, coisa marr linda.

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De repente você está andando por Friedrichshain e se depara com um bloco assim na Kreutziger Strße. Imagina morar num predinho com essa fachada?

Impossível falar de street art em Berlim sem mencionar a East Side Gallery (Mühlenstraße ♦ U1 Warschauer Straße), com seus 1.1 km ilustrados por 105 obras. Logo após a queda do muro, artistas de todo o mundo deixaram sua marca no que nascia como símbolo de liberdade.

Dimitri Vrubel é responsável pelo mais famoso do famoso: o beijo do líder soviético Leonid Brezhnev  e Erich Honecker, líder da RDA. Na legenda, “Meu Deus, Ajuda-me a Sobreviver a Este Amor Mortal”


Podem falar que revista tá morrendo o quanto quiserem, nossa paixão por elas está longe disso, assim como a do pessoal da Do You Read Me (Auguststraße 28 ♦ U8 Rosenthaler Platz). Como já falamos, tome um café delícia no The Barn e aproveite horas de puro deleite entre tantas páginas.

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I love the smell of prints in the morning.
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No céu tem print? E não morreu.

Mais impressos? Sim, sempre. A Neurotitan (Rosenthaler Str. 39  ♦ U8 Weinmeinter Straße) é abarrotada de zines, livros, pôsteres e trabalhos independentes em geral, além de ficar nos fundos do charmoso beco do Café Cinema.


Já se abasteceu de cultura e quer criar? O lugar pra encontrar tuas ferramentas é a Modulor (Prinzenstraße 85 ♦ U8 Moritzplatz). Prepare o coração e os euros, esse paraíso de três andares tem material pra qualquer tipo de artista, ou mesmo se você só curte scrapbooking. Aproveita que tá passando vontade e dá um pulinho na livraria deles também.


 

Conhecendo ou não o trabalho do Mcbess (mas devia), vale a visita ao The Dudes Factory. Na loja/galeria de Mitte (Torstraße 138 ♦ U8 Rosenthalerplatz) tem tudo que é produto ilustrado por ele: de roupa a isqueiro, passando por pôsteres (numerados e assinados) e pratos. Não sendo isso tudo suficiente, eles foram lá e abriram a The Dudes Deli em Kreuzberg (Schlesische Str. 19 ♦ U1 Schlesischestraße), que, além de tudo, tem sanduíches delícia e cervejas (inclusive a de produção própria), mas dessa parte falamos mais pra frente.

A Deli fica pertinho da East Side Gallery, vale estender o passeio por ali pra pagar pau pro trabalho alheio. Tiete que somos, ainda descolamos autógrafo do próprio Mcbess na festa de 5 anos da loja ¯\_(ツ)_/¯

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McLovin’it.

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Sejamos sinceras, postergamos um pouco essa visita por dó de gastar €7, mas não dava pra deixar de visitar o Bauhaus Archiv (Klingelhöferstraße 14 ♦ U1, U2, U3, U4 Nollendorfplatz). O famoso predinho com cara de fábrica foi projetado pelo próprio Walter Gropius, fundador da Bauhaus, já com o fim de reunir o patrimônio da escola após sua dispersão por conta do Nazismo.

A exposição é mais técnica que visual. Se você pouco sabe da Bauhaus e não quer desembolsar uns euros a mais pelo audio-guia, pode ser um pouco sem graça. Estão ali muitos trabalhos de alunos, mostrando um pouco do sistema de formação dos pupilos, além de peças dos professores – entre eles Kandinsky e Marcel Breuer. Ah, e não pode tirar foto de nada lá dentro.

Referência gráfica nessa cidade é o que não falta e agrada mesmo quem não é do rolê. Berlim é o filho adolescente rebelde da Alemanha; como não amar?