Viramos mochileiras, e agora?

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Depois de sermos merecidamente zombadas pela bagagem exagerada, nos vimos obrigadas a trocar as malas por mochilas. Lá se foram mais euros do que queremos lembrar e pra trás ficaram os não-tão-essenciais (pra não dizer completamente desnecessários) itens; os 23kg viraram 15kg, com muito esforço e alguma dor no coração.

E começa a saga Ryanair, com seus preços ilusoriamente baixos. Imprimir o bilhete? Extra. Marcar assento? Extra (mas vamos combinar que ninguém morre de passar umas horinhas umas fileiras pra trás dozamigue). Oxigênio terapêutico (o que quer que isso seja)? Extra. E nossa bagagem, que passava longe dos limites de peso e tamanho, saiu o preço da passagem em si.

Mochilas a postos, lá fomos nós.mochila

Irlandeses sendo irlandeses: um taxista, vendo nossa situação no ponto, nos ofereceu a corrida até o aeroporto pelo preço do ônibus. Indo contra todo sermão dos nossos pais (desculpa, Moas), de pronto pulamos no carro e rapidinho estávamos na interminável fila do aeroporto, cercadas por crianças chorando e pessoas fazendo malabares com o excesso de peso da bagagem. Sobrevivemos ao vôo em meio aos assentos de plástico no mais horrível tom de amarelo – sem precisar do oxigênio terapêutico, ufa.

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A missão: desvendar o sistema de transporte público de Berlim sem falar uma palavra de alemão, uma prévia do que seriam os próximos vinte e tantos dias em terras germânicas, valendo todos os macetes aprendidos em Imagem & Ação.

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Dublindeza: um compacto

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A suposta cidade cinza nos rendeu vários tons de azul.

Dublin foi gentil do começo ao fim: com direito a quase estranhos nos oferecendo quarto pra não virarmos sem teto, velhinhos nos dando bom dia no meio da rua e o dono do café que nos deu um muffin como pedido de desculpa por não aceitar cartão. Não sabemos dizer por que escolhemos começar por lá, mas não poderíamos ter sido melhor recepcionadas no velho continente. Irlandeses tem um quê de brasileiros, partilham da paixão por cerveja e comemorações em geral e são muito, muito receptivos.

Ainda assim, o plano de ficar três meses na terra dos leprechauns foi por água a baixo, e lá fomos nós mudar nosso quase-não-existente roteiro. Da mesma forma impulsiva que tudo começou, escolhemos o próximo destino: Berlim – que supostamente só visitaríamos em meados de 2016.

Alguns aprendizados da cidade:

  • Álcool só é vendido entre meio dia e 10 da noite. Não faça como a gente e deixe pra comprar o vinho do picnic de manhã.
  • Craic (pronunciado “crack”), palavra gaélica,  é das gírias mais usadas pelos irlandeses. É algo entre legal e divertido.
  • Por falar em gaélico, todas as placas vem primeiro nessa língua esquisitíssima (e que pouca gente de fato fala), e só depois em inglês.
  • Nem gaélico, nem inglês. O que mais se escuta nas ruas de Dublin é português.
  • Há cerca de mil pubs servindo a cidade de 527 mil habitantes.
  • Leopold Bloom, em Ulisses, propõe o desafio de cruzar a cidade sem esbarrar em um pub. Mais difícil, talvez, seja cumprir a tarefa sem passar por uma Carroll’s e seus souvenirs.
  • Entre o fim de sexta e a manhã de segunda, mais de 9.800 pints de Guinness são vendidos.
  • A fórmula da cerveja está prestes a mudar: não mais usarão bexiga de peixe (e sim, só descobrimos a existência desse ingrediente depois de irmos embora).
  • O dia mais triste do ano na Irlanda é a Sexta-Feira Santa: nenhum estabelecimento pode vender álcool.
  • O Halloween nasceu por lá, origina do festival celta da colheita.
  • Irlandeses famosos: Oscar Wilde, James Joyce, Bram Stoker, Samuel Beckett, Jonathan Swift, George Bernard Shaw, C. S. Lewis, Collin Farrell, Daniel Day-Lewis, Bob Geldolf, Chris O’Dowd, Sinéad O’Connor, Francis Bacon. Ah é, e tem o Bono.
  • Irlandeses usam muito verde. Muito.
  • Há muitas teorias por trás das portas coloridas de Dublin. Escolhemos acreditar na que diz que tudo começou quando um bêbado se confundiu com as portas iguais e terminou na casa errada. A partir disso, as mulheres passaram a pintar suas portas de cores distintas pra guiar os beberrões.

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“Que raios vocês fizeram em Dublin?”

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Depois de “Por que Dublin?”, a pergunta que mais escutamos foi essa. De fato, 24 dias é tempo de sobra pra uma cidade do tamanho de Dublin. E olha que a ideia original era passarmos 3 meses por lá (missão abortada ao descobrirmos o quão difícil – e caro – era encontrar um cantinho pra chamar de nosso).

Mas voltando à pergunta, nossa estadia teve: pubs, pubs, pubs, muitas caminhadas sem rumo pelas ruas que teimavam em fazer curva e tirar nosso norte, e poucos pontos turísticos. Sejamos sinceras, a última parte se deve à nossa economia.

Recomendamos os parques todos, quantas vezes for possível. São sempre lindos e demos sorte de pegar a folhagem de outono, bem acompanhada de céu azul – em quase um mês por lá, tivemos só um dia de chuva.

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Não é assim que dá a fruta, não

Phoenix Park
O maior da cidade, cerca de duas vezes o tamanho do Central Park. Vale a pena alugar uma bike na entrada do parque (€5 por 1h, €10 por 3h) pra dar conta da imensidão toda. Se o tempo ajudar, dá pra fazer um picnic e de quebra levar umas maçãs pra alimentar os veados que por ali vivem* (não seja mirim como fomos, pique a maçã antes de dar pros bichinhos). Dentro do parque fica também o zoológico de Dublin, mas essa parte pulamos.  *Ops, acabamos de descobrir que é proibido alimentar os veados, inclusive indicam nem chegar perto dos bichos. Achamos meio balela, mas não custa ter cautela.


 

maraviwonderful_oscarwilde_merrionsquare.jpgMerrion Square:
Logo de cara, Oscar Wilde te recepciona com olhar de desdém, como não podia deixar de ser. O parque, ainda que pequeno, não deixa a desejar em beleza.


St. Stephen’s Greens Dublin 2 // +353 1 475 7816
É bonito, é no meio da cidade e pronto. Querendo ou não, você vai passar pro lá. Aproveita e entra. Vale até um picnic, se você não se sentir intimidade pelos pássaros. E são muitos. Muitos mesmo.


maraviwonderful_trinitycollege.jpgTrinity College College Green, Dublin 2 // +353 1 896 1000
Além da arquitetura dos prédios da faculdade, vale a visita de €10 à biblioteca (sim, aquela do Harry Potter), mas não vale pagar os euros a mais pra ver o Book of Celts. Pode guardar esses pra uma pint. Ali fica também a Science Gallery, bem pequena e, dependendo da exposição, underwhelming. Mas, né? De graça vale uma passadinha.

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Música, crianças, halloween e St. Stephen’s Green: um mix de emoções

Entre Trinity College e o St. Stephen’s Greens há sempre uma porção de artistas de ruas, com os mais diversos (e às vezes duvidosos) talentos. Aos sábados o volume de gente na região é um pouco irritante, mas não chega a ser uma 25 de março em época de natal.


Ainda pelas ruas, a O’Connel oferece mais algumas opções de lojas e performances e é marcada pela Spire – a agulha gigante que serve como referência de localização pros mais perdidos (ahem, como nós).


Vocês não foram na fábrica da Guinness?! Err… não. Nem lá, nem em outros pontos bem recomendados.

Fábrica da Guinness St. James’s Gate, Dublin 8 // +353 1 408 4800
No nossa matemática, mais valia beber Guinness no bar que acompanhar o processo de produção. O tour, no entanto, termina no bar da cervejaria, com vista da cidade toda e ainda te dá direito a uma pint. Se preferir, há também a opção de pular o tour e tomar uma direto lá em cima.


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não sabemos o porquê, mas essa ponte homenageia Samuel Beckett

Passeio literário: (tecnicamente, fomos duas vezes, mas em nenhuma deu córum por conta do tempo). Irlandeses são bastante orgulhosos da sua produção literária. Também pudera, com Oscar Wilde, James Joyce, Bram Stocker, Samuel Beckett, W. B. Yeats, Johnathan Swift, entre tantos outros. Em todo canto da cidade você certamente vai cruzar com alguma referência literária (como a Sweny’s Pharmacy, com aparição em Ulisses, que segue de pé e aberta ao público). Pros amantes de literatura, o tour é uma boa opção pra descobrir mais dessas.


Old Jameson Distillery Bow St, Smithfield Village, Dublin 7
Prefere whiskey à cerveja? Manda bala. É só o que sabemos, somos da cerveja e Jack Daniels.


Tem tempo e o dia tá bonito? Pega uma das Dublin Bikes e sai pedalando por aí. Ninguém vai tentar te atropelar nem te acusar de comunistinha, prometemos.


 

Pra passar o dia fora de Dublin: Cliffs of Moher, Galway (o lugar mais recomendado por todos os Irlandeses que cruzamos) e Greystone & Bray (se você não quiser se aventurar cruzando a montanha, come no Happy Pear que já vale a pena).


Se, como a gente, você calhar de estar em Dublin no fim de Outubro, não deixe de aproveitar o Halloween por lá. Descobrimos, inclusive, que foi lá que ele nasceu, até ser roubado pelos americanos. Coloca uma fantasia qualquer e se joga pelas ruas do Temple Bar. Opções não faltam.

 

 

Camis & Belbis – Dublin

Entre dúzias de pão com ovo e baldes de sopa congelada, nos permitimos algumas extravagâncias gastronômicas e etílicas (quase sempre dentro do nosso modesto budget)

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  • Frite Haus 87 Camden Street Lower, Dublin 2 // +353 87 050 5964
    Batatas fritas crocantes e sequinhas, com uma imensa variedade de molhinhos – provamos o de Cashel Blue Cheese e Wasabi Mayo, ambos aprovadíssimos –, porém o hambúrguer não se destaca. Com o Underdog como referência, fica difícil encontrar algo à altura.


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  • The Big Blue Bus 11-12 Richmond St S, Dublin 2 // +353 85 165 8406
    Aos fundos do The Bernard Shaw, há um jardim/fumódromo decorado com grafites nas paredes e o inesperado ônibus azul; The Big Blue Bus é um double decker de 1978 que funciona como pizzaria de quinta a domingo até a meia noite. A pizza, com massa fininha e boas opções de sabor, tem o preço um pouco mais salgado, mas o combinado vale a pena: pizza + cerveja artesanal (ou bloody mary/white russian) sai por €13.


  • Thai Jasmine Grab & Go 11 Lower Liffey Street, Dublin 1 // +353 1 835 769
    Talvez a melhor surpresa gastronômica de Dublin. A fachada do Thai Jasmine passa despercebida na região central da cidade e você pode até questionar a qualidade da comida num primeiro olhar, mas não deixe que isso te engane: ali dentro de espera uma caixinha deliciosamente temperada, bebidas a 1 euro e atendimento simpático. Gostamos tanto que repetimos a dose: Chicken Green Curry sai por €6.50, alivia qualquer congestão nasal e certamente ficará gravado nas papilas gustativas. Voltaríamos todo dia lá, se pudéssemos.


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  • Little Ass Burrito Bar 32A Dawson St, Dublin 2 // +353 1 679 969
    Não se engane pelo nome: de pequeno esse burrito não tem nada. Pra uma parada rápida no balcão ou levar pra viagem, ele mata qualquer fome. Cuidado com os molhos, apimentado é apimentado.

  • Murphy’s Ice Cream 27 Wicklow Street, Dublin 2 // +353 066 915 2644
    Há sorveterias aos montes pelas ruas de Dublin, mas a Murphy’s vai além. Os sorvetes são feitos apenas de produtos naturais, nada de corantes ou aromatizantes e o leite vem das raras vacas Kerry, nativas do país. Difícil é decidir entre tantos sabores.


  • Generator Hostel Smithfield Square, Dublin 7 // +353 1 901 0222
    Mesmo se você não tiver hospedado no Generator, vale uma visita ao bar pra provar esse hambúrguer.  Carne no ponto, pão macio e batatas perfeitas. Na nossa busca por um hambúrguer Underdog, esse foi o que chegou mais perto.


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  • Eathos 13 Baggot Street Upper, Dublin 4 // +353 1 629 8090
    Falemos de uma das nossas maiores paixões: café da manhã. Por economia, a maioria dos nossos era feito em casa ou no hostel.   

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    Ron Swanson se identifica

    Eathos é um capítulo à parte, no entanto. A vitrine já é uma covardia, com seus tantos doces, tortas e suspiros, provando que orgânico não é necessariamente saudável – o cupcake no potinho não nos deixa mentir. Podiamos falar do café 3fe, do pão de sourdough servido com geléia com pedacinhos de frutas, do croissant, ou das tantas opções de brunch, mas só de pensar já bate a fome.


     

  • The Happy Pear Church Road, Greystones, Co. Wicklow // +353 1 287 3655
    Técnicamente, fora de Dublin, mas uma viagem de menos de uma hora te leva à Greystones. O passeio por si só vale a pena, com a vista litorânea e se você tiver pique pra cruzar a montanha até Bray (deixemos essa aventura para outra hora), mas o Happy Pear é, sem dúvidas, um ponto de destaque. Outro orgânico (oi, Narcisa) com opções saudáveis que contrariam até os mais céticos (errr…). Os brownies são um capítulo a parte (saudável é diferente de light, né?) e obrigatórios. Logo ao lado do restaurante, há um mercadinho só com produtos dele, pra quem se deixar levar pela onda orgânica. Até mesmo em mercados de Dublin você cruza vez ou outra com potinhos com o feliz selo da Perorgânica.

 

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  • Garage Bar Essex Street East, Dublin 2 // +353 1 679 6543
    Mesmo estando em Temple Bar, o Garage foge do burburinho turístico e logo de cara nota-se a diferença: nada de clima e decoração dos clássicos pubs de cada esquina. Nas paredes e nas caixas de som, o que impera é rock clássico – de Stones a King Crimson; no balcão, Cute Hoor, Guinness, e Paulaner.


  • Blackbird Rathmines 82-84 Rathmines Rd Lower, Dublin 6 // +353 1 412 5031
    Por mais que gostemos das clássicas pints irlandesas, nos sentimos em um parque de diversões entre tantas opções de cervejas artesanais – tanto em tap quanto em garrafa. A decoração do ambiente é inusitada, no mínimo. Carteiras de escola antigas, sofás de veludo e outras peças únicas dão um ar de antiquário, complementando a trilha foda, de Bowie a Radiohead, passando por QOTSA no caminho.IMG_5331


  • The Bernard Shaw 11-12 Richmond St S, Dublin 2 //  +353 85 165 8406
    Por indicação de uma amiga local, fomos parar nesse pub com grafites divertidos na fachada. Logo ao entrar, nada fora do normal: balcão com torneiras como tantos outros pubs. Poucos passos à frente, porém, uma porta te leva ao jardim – igualmente decorado por grafite – que também funciona como fumódromo e estacionamento do já mencionado Blue Bus. Os fumódromos de Dublin dão um pau nos cantinhos austeros destinados à nós em SP, mas esse merece menção especial. Muito além de acolher os pobres viciados, o ambiente é a escolha da maioria pra comer sua pizza, virar uns pints e aproveitar a música local com mesas de sinuca e pebolim.


  • The Workman’s Club 10 Wellington Quay, Dublin 2 //  +353 1 670 6692
    Nosso espírito velho sempre prefere bares sem muito auê a qualquer outro ambiente, mas nada que algumas pints e empolgação repentina não mudem vez ou outra: deu vontade de dançar, e seguindo a recomendação de um amigo seguimos pro Workman’s. Num predinho à beira do Rio Liffey, o lugar lembra uma Trackers, só que mais organizada. Cada cômodo um ambiente, e, de novo, a maravilhosa área de fumantes populada por fumantes e famintos, que tinham 3 ou 4 opções de barraquinha de lanche pra dar conta do álcool. Não sei se foi azar do dia ou se estamos acostumadas com o ritmo paulistano, mas a pista em si deixou a desejar em animação, ainda que a música fosse boa. Bom, pelo menos a entrada era grátis.


IMG_5077 E o Temple Bar? Começa que descobrimos que Temple Bar é uma área toda no centro da cidade, onde tem uma infinidade de outros bares, e não só o famoso pub vermelho que estampa a maior parte dos postais. Mas tá, o bar em si: não achamos que vale a pena fazer a sardinha pra tentar pegar uma pint de Guinness por €7. Pra quem topar encarar a multidão de turistas e desembolsar uns euros a mais: Temple Bar Pub (47-48 Temple Bar // +353 1 672 5286). Pra quem for tão mão de vaca quanto a gente, o Mother Kelly’s (74 Talbot St, Dublin 1) oferece pints the Guinness e Lager por €3 às quartas depois das 8pm. Não espere o pub mais descolado da cidade, mas o serviço e a cerveja não deixam a desejar. Outra opção turística pra quem tem pique e euros sobrando, The Brazen Head (20 Lower Bridge St, Dublin 8 // +353 1 677 9549) é um dos mais antigos pubs da cidade. Enfim, são mais de mil pubs pela cidade, há opções pra todos os gostos e bolsos. Que sobre também fígado.

 

 

Cliffs of Moher

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Por preguiça de passeios turísticos, sempre preferimos as caminhadas sem rumo pela cidade. Na recepção do hostel, panfletos apresentavam toda sorte de opções: de Segway Tour à Leprechaun Museum – que, fossem de graça, valeriam pela farofa. Deixando a pão-durice de lado, acatamos a dica de todos irlandeses que encontramos: Cliffs of Moher.

Mais difícil que desembolsar os  €45 foi acordar antes das 6:00 numa manhã fria para enfrentar 3 horas no ônibus (transfigurado sauna, graças ao aquecedor quebrado). Os poréns acabaram aí, no entanto. Chegando a Galway fomos recebidas pelo guia mais simpático e apaixonado pela região. O caminho contou com paradas e breves aulas de geografia e história do lugar.

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Poulnabrone Dolmen: Sobrevivente do período Neolítico, é mais antigo que o Stonehenge, por exemplo.

Castelos, vacas, muito verde e calcário passavam pela janela no dia mais azul que presenciamos no Irlanda – contrariando todas as previsões e recomendações e inutilizando as tantas camadas que vestimos pra escapar do frio e vento que nunca vieram.

Paradinha pra almoço no Gus O’Connors pub pediu dois pints de Smithwick’s, como não podia deixar de ser. A interminável fila no banheiro não deixou tempo de sobra pra provarmos o fudge da Doolin Chocolate Shop logo ao lado, no entanto.

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Pausa para a onipresente cervejinha

Enfim chegamos aos cliffs, que fazem valer uma porção de clichés. Palavras não dão conta de tanta beleza. Podem deixar economia e preguiça pra lá: o passeio vale do começo ao fim.

 Aqui, algumas das fotos – se é que conseguimos mostrar um pouquinho da beleza que vimos ao vivo.

Hostel Experience: Isaacs Hostel

Isaacs Hostel

Gentileza por lá encontramos, a começar pelo hostel. Duas novatas de albergue, escolhemos o Isaacs seguindo recomendação do Hostelworld. Boa localização, staff amigável e conforto na medida… até a chegada de uma excursão de adolescentes franceses, tomando conta das áreas comuns (principalmente cozinha, por horas a fio) com tamanha animação que nos sentimos duas anciãs rabugentas.

Passado o momento Mr. Heckles, por fim conseguimos deixar a introspecção de lado (com ajuda de algumas cervejas), o que nos rendeu risadas e boas dicas de viagem, numa salada cultural de Itália, Alemanha, Croácia, Inglaterra, EUA, Coréia do Sul, Argentina e Austrália.

Na hora do check-out, nem nos lembrávamos mais dos banhos com short bursts de água, da cozinha sempre lotada (onde nossa comida foi usurpada apenas uma vez) ou dos três lances de escada. Partimos já com saudades da playlist da recepção e das amizades relâmpago – que em nada perderam por serem efêmeras.

O plano? Um ano viajando pela Europa. Os meios? Ainda desconhecidos.

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Dez dias de hospedagem, alguns euros, seguro, passagem e passaporte. Essa foi a extensão dos preparativos pré-embarque, seguindo a temática da viagem menos programada que já fizemos. Com pouca vocação para mochileiras, embarcamos com 23kg de bagagem, e seja o que Ryanair quiser. Esquecemos, claro, de fazer chek-in online e acabamos esmagadas na fileira do meio, entre vizinhos que gargalhavam com Ted 2 e levavam a sério Eu Sou a Lenda. Não roncavam, pelo menos.

12 horas depois, fomos recepcionadas em Munique por cerveja matinal e o fumódromo mais confortável da história dos aeroportos, ambos essenciais pra escala de 6 horas. Mais por economia que autenticidade, optamos por um pretzel de €1 pra caber a cerveja de trigo de €4 no orçamento.

Já em Dublin, deixamos a vida de táxi de lado e arriscamos o ônibus de €6 do aeroporto ao centro. Escolha certa, descemos perto do hostel e ainda contamos com ajuda de estranhos com as malas excessivamente pesadas. Tal ajuda se fez necessária novamente chegando ao hostel: 3 andares de escada nos separavam do nosso quarto.

Devidamente acomodadas e banhadas, uma breve volta de reconhecimento de local terminou em nosso primeiro pint de Guinness por aqui, enquanto a seleção irlandesa ganhava da alemã, para deleite do público. Trouxemos sorte, disse o garçom. Esperamos que a Irlanda nos retribua a gentileza.