Achados em Lisboa: LX Factory

maraviwonderful_LX-Factory.jpgEnquanto Berlim nos surpreendeu com sua vibe anos 90, Lisboa teve o impacto contrário. Esperávamos uma cidade meio parada no tempo e encontramos um burburinho cultural e artístico inimaginável. maraviwonderful_LXfactory_lisboa_1

Exemplo disso é a LX Factory, rolezinho hipster (nada contra, até temos amigos) fora do roteiro turístico básico. Logo embaixo da ponte 25 de Abril, em Alcântara (facinho de chegar de trem), o antigo parque industrial transformou-se em ilha criativa em 2008, preservando a arquitetura original, com adição de grafites. Os 23.000 m² são ocupados por lojas, restaurantes, além dos tantos escritórios de moda, publicidade, arte, design, comunicação, arquitetura e teatro.

Aos domingos, além das atrações permanentes, há também uma feira nas vielas do parque industrial, com banquinhas de artistas e produtores locais. Até encontramos cerveja artesanal por preço justo (uma grata surpresa depois de tanta Sagres). A programação não para por aí; com frequência o espaço oferece exposições, festas, workshops e festivais.

Em um antigo parque de impressão funciona hoje a livraria Ler Devagar, onde dá pra perder boas horas entre os livros e máquinas, com pausa pra tomar um café (e, se der, provar uma das tortas) enquanto fuma um cigarro. Sim, ali dentro mesmo ❤

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Pode morar aqui?

Nos esbaldamos também nas comidas (calma, as degustações se deram em visitas diferentes): O hambúrguer do Burger Factory foi o que chegou mais próximo do hors concours Underdog. Nas sobremesas, fica difícil de escolher entre o impecável bolo de chocolate da Landeau e o cheescake da LXeesecake, servido em fatias pra lá de generosas (difícil é escolher um só sabor). Opções gastronômicas não faltam, esteja você na larica de sushi ou querendo uma boa massa italiana.

Entre uma boquinha e outra, não deixe de passar pelas tantas lojas. Queríamos comprar tudo da Bairro Arte pra decorar nossas casas imaginárias, nem olhamos as etiquetas de preço da Kare e paqueramos uma porção de roupas e zines.

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Berlim: se virando no U-Bahn

maraviwonderful_u-bahn-postDublin fizemos toda a pé, não dependendo nunca do transporte público. A mesma logística não se aplicou à Berlim, cidade 9 vezes maior que Paris, além de estarmos hospedadas fora do buchicho. Mesmo não sabendo pronunciar nem o nome da nossa estação, desvendar o U-Bahn foi mais fácil que andar de bicicleta (ainda mais naquele frio do capeta); além de todos os terminais de emissão de bilhetes trazerem o conforto do menu em inglês, a sinalização é toda bem auto-explicativa (ok, saber que Ausgang significa saída facilita, mas você não vai fazer o Tom Hanks em nenhuma estação sem esse conhecimento*). Além disso, logo descobrimos que além do bilhete mensal comum (€79.50), havia a opção mais em conta válida a partir das 10 da manhã (€58) – o que serviu de desculpa pra poder preguiçar um pouco mais nas manhãs. Há também os tickets semanais (€30) pra quem tiver estadia reduzida por lá e, quem tiver a sorte de pegar a cidade na primavera/verão, bicicleta é também ótima opção. Plana que só e com respeito invejável pelos ciclistas, Berlim é uma enorme ciclofaixa (aliás, não dê bobeira em cima dela; pedestres levam buzinadas e quase atropelamentos – não que isso tenha acontecido com a gente, imagina).

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você vai passar por aqui pelo menos uma vez por dia
    • Sempre validar seu ticket antes de embarcar.
    • O ticket unitário (€2.70) é válido por 2 horas, mas apenas em um sentido; não vale ir e voltar
    • Não há catracas em nenhuma estação. Vez ou outra um fiscal entra no vagão e pede os tickets. Em 28 dias que ficamos lá, isso aconteceu em 3 ocasiões. Mas não vai querer dar uma de espertinho. Além da multa ser salgada, pra quê quebrar a confiança que te deram, gente? Como esse vídeo bem ilustra, o transporte público aceita tudo; menos a falta de ticket.
    • Não exageramos ao dizer que tem de tudo no U-Bahn. Quarta-feira de manhã? Um picnic no meio do vagão, por que não? Ou, depois dos atentados de Paris, um spray de pimenta estoura e o vagão se desespera. IMG_6347
    • Cachorros. Muitos. O tempo todo. Bem comportados e você vai querer roubar todos
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gif da Olivia Huynh
  • Nas plataformas está sempre sinalizado enquanto tempo o trem passa. E ele é sempre pontual. Ficamos tão mal acostumadas que no fim achávamos ruim ter que esperar 4 minutos pelo próximo trem.
  • Não fica panguando na porta do vagão: tanto pra entrar quanto sair você tem que apertar o botão pra abri-la.
  • Quase tudo da cidade (menos aeroporto) fica concentrado das áreas A e B. Não vai gastar a mais no bilhete sem necessidade.
  • Em qualquer lugar você encontra mapa das linhas, mas esses aplicativos ajudam a calcular tua rota de ponto a ponto: Berlin Subway e Citymapper.

* Se por azar isso acontecer, você terá uma boa sobrevida: dentro das estações (especialmente Alexanderplatz), há de tudo. Farmácia, loja orgânica e todos os tipos de comida – deliciosas e baratas.

Einsteigen bitte!

“Que raios vocês fizeram em Dublin?”

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Depois de “Por que Dublin?”, a pergunta que mais escutamos foi essa. De fato, 24 dias é tempo de sobra pra uma cidade do tamanho de Dublin. E olha que a ideia original era passarmos 3 meses por lá (missão abortada ao descobrirmos o quão difícil – e caro – era encontrar um cantinho pra chamar de nosso).

Mas voltando à pergunta, nossa estadia teve: pubs, pubs, pubs, muitas caminhadas sem rumo pelas ruas que teimavam em fazer curva e tirar nosso norte, e poucos pontos turísticos. Sejamos sinceras, a última parte se deve à nossa economia.

Recomendamos os parques todos, quantas vezes for possível. São sempre lindos e demos sorte de pegar a folhagem de outono, bem acompanhada de céu azul – em quase um mês por lá, tivemos só um dia de chuva.

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Não é assim que dá a fruta, não

Phoenix Park
O maior da cidade, cerca de duas vezes o tamanho do Central Park. Vale a pena alugar uma bike na entrada do parque (€5 por 1h, €10 por 3h) pra dar conta da imensidão toda. Se o tempo ajudar, dá pra fazer um picnic e de quebra levar umas maçãs pra alimentar os veados que por ali vivem* (não seja mirim como fomos, pique a maçã antes de dar pros bichinhos). Dentro do parque fica também o zoológico de Dublin, mas essa parte pulamos.  *Ops, acabamos de descobrir que é proibido alimentar os veados, inclusive indicam nem chegar perto dos bichos. Achamos meio balela, mas não custa ter cautela.


 

maraviwonderful_oscarwilde_merrionsquare.jpgMerrion Square:
Logo de cara, Oscar Wilde te recepciona com olhar de desdém, como não podia deixar de ser. O parque, ainda que pequeno, não deixa a desejar em beleza.


St. Stephen’s Greens Dublin 2 // +353 1 475 7816
É bonito, é no meio da cidade e pronto. Querendo ou não, você vai passar pro lá. Aproveita e entra. Vale até um picnic, se você não se sentir intimidade pelos pássaros. E são muitos. Muitos mesmo.


maraviwonderful_trinitycollege.jpgTrinity College College Green, Dublin 2 // +353 1 896 1000
Além da arquitetura dos prédios da faculdade, vale a visita de €10 à biblioteca (sim, aquela do Harry Potter), mas não vale pagar os euros a mais pra ver o Book of Celts. Pode guardar esses pra uma pint. Ali fica também a Science Gallery, bem pequena e, dependendo da exposição, underwhelming. Mas, né? De graça vale uma passadinha.

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Música, crianças, halloween e St. Stephen’s Green: um mix de emoções

Entre Trinity College e o St. Stephen’s Greens há sempre uma porção de artistas de ruas, com os mais diversos (e às vezes duvidosos) talentos. Aos sábados o volume de gente na região é um pouco irritante, mas não chega a ser uma 25 de março em época de natal.


Ainda pelas ruas, a O’Connel oferece mais algumas opções de lojas e performances e é marcada pela Spire – a agulha gigante que serve como referência de localização pros mais perdidos (ahem, como nós).


Vocês não foram na fábrica da Guinness?! Err… não. Nem lá, nem em outros pontos bem recomendados.

Fábrica da Guinness St. James’s Gate, Dublin 8 // +353 1 408 4800
No nossa matemática, mais valia beber Guinness no bar que acompanhar o processo de produção. O tour, no entanto, termina no bar da cervejaria, com vista da cidade toda e ainda te dá direito a uma pint. Se preferir, há também a opção de pular o tour e tomar uma direto lá em cima.


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não sabemos o porquê, mas essa ponte homenageia Samuel Beckett

Passeio literário: (tecnicamente, fomos duas vezes, mas em nenhuma deu córum por conta do tempo). Irlandeses são bastante orgulhosos da sua produção literária. Também pudera, com Oscar Wilde, James Joyce, Bram Stocker, Samuel Beckett, W. B. Yeats, Johnathan Swift, entre tantos outros. Em todo canto da cidade você certamente vai cruzar com alguma referência literária (como a Sweny’s Pharmacy, com aparição em Ulisses, que segue de pé e aberta ao público). Pros amantes de literatura, o tour é uma boa opção pra descobrir mais dessas.


Old Jameson Distillery Bow St, Smithfield Village, Dublin 7
Prefere whiskey à cerveja? Manda bala. É só o que sabemos, somos da cerveja e Jack Daniels.


Tem tempo e o dia tá bonito? Pega uma das Dublin Bikes e sai pedalando por aí. Ninguém vai tentar te atropelar nem te acusar de comunistinha, prometemos.


 

Pra passar o dia fora de Dublin: Cliffs of Moher, Galway (o lugar mais recomendado por todos os Irlandeses que cruzamos) e Greystone & Bray (se você não quiser se aventurar cruzando a montanha, come no Happy Pear que já vale a pena).


Se, como a gente, você calhar de estar em Dublin no fim de Outubro, não deixe de aproveitar o Halloween por lá. Descobrimos, inclusive, que foi lá que ele nasceu, até ser roubado pelos americanos. Coloca uma fantasia qualquer e se joga pelas ruas do Temple Bar. Opções não faltam.